Malangatana . “O Percurso de um Pintor, Poeta e Humanista” . 1Março 11h Auditório 1

Malangatana
O percurso de um pintor, poeta e humanista

No âmbito das licenciaturas em Jazz e Música Moderna e Arquitectura, o Mestre Malangatana dará uma palestra intitulada “Malangatana: o percurso de um pintor, poeta e humanista”, no dia 1 de Março de 2010, no Auditório 1 – ULL, às 11H00.

Este tipo de evento tem-se revelado determinante na formação artística e técnica dos alunos, uma vez que os põe em contacto directo com especialistas nacionais e estrangeiros, proporcionando-lhes um trabalho focalizado em aspectos concretos relacionados com as suas matérias de estudo, tanto ao nível da abordagem teórica como prática.

Inscrição: http://www.lis.ulusiada.pt/Home/Eventos/malangatana/inscricao.aspx

Biografia

Malangatana Valente Ngwenya nasceu em Matalana, no distrito de Marracuene, em Moçambique, no dia 6 de Junho de 1936. Frequentou a Escola da Missão Suíça, em  Matalana, onde aprendeu a ler e a escrever em ronga. Encerrada a escola protestante, transita para a da missão católica em Bulázi, onde conclui a terceira classe rudimentar e parte depois para Lourenço Marques, onde arranja emprego como criado de crianças. Foi “apanhador de bolas” e  criado de mesa no Clube de Lourenço Marques, frenquentado pela elite colonial.

Fotografia do Mestre Malangatana.Mestre Malangatana

A partir de 1959, descobertas as suas capacidades artísticas, Malangatana envereda por uma carreira de pintor profissional, com o apoio de Augusto Cabral e do Arqt. Miranda Guedes (Pancho), que lhe cedeu a garagem para atelier e lhe  adquiria dois quadros por mês, para que se pudesse manter.

Em 1961, Malangatana realiza a sua 1.ª exposição individual em Lourenço Marques, na Associação dos Organismos Económicos. Torna-se frequentador assíduo do Núcleo de Arte de Lourenço Marques, onde contacta com os artista da época e onde começa a mostrar os seus trabalhos de cariz eminentemente social.

Após o início da luta armada em Moçambique, Malangatana junta-se à rede clandestina da FRELIMO, desenvolvendo actividades que levaram a PIDE a afirmar, mais tarde, que Malangatana servia de cartaz de propaganda política antagónica à linha da administração ultramarina portuguesa, tendo sido preso por duas vezes pela polícia do Estado Novo (1966/1968).

Em 1971, recebe uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian para vir para Lisboa especializar-se em  gravura. Trabalhou em gravura, na Sociedade Cooperativa dos Gravadores Portugueses e, em cerâmica, na Fábrica de Cerâmica Viúva Lamego. No mesmo ano, expõe na Livraria Bucholz e na Sociedade Nacional de Belas Artes.

Em 1973, vai para a Suíça a convite de amigos, onde tem contactos com diferentes galerias e artistas que lhe abrem novos horizontes.

Com a independência de Moçambique, Malangatana envolve-se directamente na actividade política, participando em acções de mobilização e alfabetização, sendo enviado para Nampula com o objectivo de organizar as aldeias comunais.

Foi um dos criadores do Museu Nacional de Arte de Moçambique e convidado a criar o Centro de Estudos Culturais, actual Escola Nacional de Artes Visuais. Procurou manter e dinamizar o Núcleo de Arte (associacção que agrupa os artistas plásticos) e criou os núcleos dos artesãos das zonas verdes de Maputo.

Desenvolve intensa  actividade no âmbito do Grupo Dinamizador do Bairro do Aeroporto, onde reside, e participa em múltiplas actividades cívicas e sociais. Intervém na organização da Escolinha dominical “Vamos Brincar”, promovida pela UNICEF. Na sequência, é convidado para ir à Suécia (1987) participar em actividades similares com crianças e refugiados de diversos países.

Foi um dos criadores do Movimento para a Paz. Pertence à Direcção da Liga dos Escuteiros de Moçambique (LEMO), e é membro da Direcção da Associacção dos Amigos da Criança. Foi deputado pela FRELIMO, de 1990 até às primeiras eleições multipartidárias, em 1994, a que não foi candidato. Em 1998, é eleito pela FRELIMO para a Assembleia Municipal de Maputo e, em 2003, é nomeado vereador do Município pelo pelouro da Cultura, Desporto e Juventude.

Terminada a guerra civil em 1992, retomou o projecto cultural que impulsionara na sua aldeia de Matalana, surgindo assim a Associação do Centro Cultural de Matalana, de grande valor social e cívico, de que é o actual  presidente. Foi membro do júri para os cartões de boas festas da UNICEF, bem como de outros eventos de artes plásticas tanto em Moçambique como no estrangeiro. Foi Vice-Comissário nacional para a área da cultura de Moçambique na EXPO98 (Lisboa), em Portugal,  e  Hannover 2000, na Alemanha.

A sua obra é reconhecida em todo o mundo, participando em múltiplas exposições individuais e colectivas, integrando diversos júris, em Moçambique e no estrangeiro, bem como participando em múltiplos e diversos workshops. Pintor, ceramista, cantor, actor, dançarino, Malangatana é uma presença assídua em numerosos festivais, afirmando sempre a sua origem africana e moçambicana.

Em 1996 e 2004, publica dois livros de poemas que reúnem a sua obra poética desde os anos sessenta. O último é ilustrado com vinte e quarto desenhos inéditos. A 6 de Junho de 2006, é homenageado em Matalana por ocasião do seu 70.º aniversário, sendo condecorado pelo Presidente da República de Moçambique com a Ordem Eduardo Mondlane do 1.º Grau, o mais alto galardão do país, em reconhecimento do trabalho desenvolvido não só nas artes plásticas mas também como o grande embaixador da cultura moçambicana. Nessa mesma data foi lançada a Fundação Malangatana Ngwenya, com sede em Matalana, sua terra natal. Em 2007, foi condecorado pelo governo francês com a distinção de Comendador das Artes e Letras. Foi-lhe atribuído o doutoramento “Honoris Causa” pela Universidade Politécnica de Maputo, em 2007, e, em 2010, pela Universidade de Évora.

A sua vida e obra tem sido objecto de vários filmes e documentários, estando representado em vários museus, por todo o mundo, bem como, em inúmeras colecções particulares.

Organização


Universidade Lusíada de Lisboa

Faculdade de Ciências Humanas e Sociais
Licenciatura em Jazz e Música Moderna

Universidade Lusíada de Lisboa
Faculdade de Arquitectura e Artes
Licenciatura em Arquitectura (mestrado integrado)

  • Prof. Doutor Arqt. Rodrigo Reis Ollero das Neves
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2 Responses to “Malangatana . “O Percurso de um Pintor, Poeta e Humanista” . 1Março 11h Auditório 1”


  1. 1 Nelson 13/02/2011 às 16:06

    achei muito interessante

  2. 2 Heitor Fernandez 19/07/2011 às 18:46

    Morreu o Homem ficou a Obra. Larga Obra.
    Malangatana foi Homem muito activo, de valor largamente reconhecido.
    Recordo-me sempre da consideração coo que Mário Soares se referia a Malangatana, como Homem ímpar de imensas facetas.
    Político revolucionário com a Frelimo mas nunca confundio o regime ditatorial com os portugueses. por isso passou muitos períodos da sua vida vivendo em Portugal, onde tinha amigos, e apreciadores da sua Obra.


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