Escalas de Intenções

ESCALA DE INTENÇÕES


Desde sempre,  a escala em que se projecta algo, tem uma estrita relação com a paisagem em que se insere. Isto diz-nos a história, mas disto não se compadece o presente.

Se tivermos em conta que a própria noção de  paisagem é uma construção intelectual, na forma como apreendemos a realidade, esta, é profundamente influenciada pelo entendimento humano em determinado momento na sua história, e como tal, em constante alteração. É interessante o ensaio que Heidegger produz na obra “Construir, habitar, pensar” onde o filósofo  fala-nos de uma paisagem primitiva, intocada pelo Homem, com um riacho,  e na forma como o sentido do lugar muda aquando da construção de uma ponte sobre esse riacho, passando essa paisagem a ser apreendida enquanto uma paisagem  humanizada, variando apenas na escala do seu entendimento como tal. A evolução das sucessivas performances construtivas com que os agregados urbanos se foram sedimentando foram alterando a forma como nos apropriamos destes novos territórios.  Com a chegada do fenómeno globalizador, esses aglomerados foram perdendo as suas características locais passando a ter um sentido universal, com as ‘cidades genéricas’ que Koolhaas refere, a polvilhar o território restante. Este acto destruidor de identidades, memórias colectivas e sentimentos de pertença cultural e espacial, ao mesmo tempo constrói um sentido universal do lugar do ser humano nesta era da ‘network society’. Numa época em que as cidades enfrentam dinâmicas e fluxos de ocupação de território de forma inconstante é premente a questão da relevância dos planos urbanísticos poderem comportar adaptabilidades programáticas de modo a serem passíveis de permanecerem activos com as dinâmicas e fluxos dos tempos contemporâneos. Assim como a importância do entendimento dos actos performativos dos pequenos objectos com escala urbana serem geradores de urbanidade, física e memorial.

Neste sentido, é interessante a forma como os fluxos e dinâmicas do ser humano durante o ritmo diário, é-nos apresentado, sob a forma como uma cidade se pode organizar nestes tempos de indecisão, perpretada pela globalização e tábula rasa dos últimos anos, e numa época em que a imagem é o principal meio de comunicação, pelo realizador Lars von Trier em “Dogville”. O cenário é-nos apresentado qual planta onde linhas brancas definem em planta os edifícios e um plano de fachada nos remete para uma qualquer categorização do edifício em questão.


Cenário em 'Dogville', de Lars von Trier


Cenário em ‘Dogville’, de Lars von Trier



Nesta época de indefinição muitas dúvidas se colocam. Que estratégias urbanas a adoptar numa network society em que nunca o desejo de ubiquidade foi tão grande no ser humano? Serão novas Manhattan’s ou novas Barcelonas serão estratégias em que a sua escala faça sentido em todos os locais? Qual o factor social na definição da escala do objecto arquitectónico? De que forma estes objectos funcionam na contemporaneidade como processos de transformação positiva? Qual a importância urbana dos pequenos projectos? Qual a hierarquização das opções do arquitecto na definição da escala urbana a que projecta?




__ João Pedro Beldade__

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